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Como dizia o mestre - Autor: Benito di Paula
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Salomão di Pádua: a cultura e a música em plenitude

por Ascom/Ministério da Cultura | maio 9, 2017 

Quando chegar outubro deste ano, serão completados 25 anos desde que o cantor Salomão di Pádua pisou em um palco pela primeira vez enxergando-se como profissional. Durante esse quarto de século, lançou três álbuns solo, conquistou prêmios e fez parcerias com diversos artistas. Tudo isso foi realizado em meio a outras atividades profissionais, já que a música é sua válvula de escape e sua paixão – aquela vivida intensamente. Com a função de assistente administrativo terceirizado na Ouvidoria do Ministério da Cultura, Salomão é figura conhecida para os frequentadores dos bares com música ao vivo de Brasília.

Seu caminho como cantor começou em outubro de 1992, ao ser descoberto em um projeto de novos talentos desenvolvido pela Secretaria de Cultura do Maranhão, seu estado natal. Ele era servidor concursado da Secretaria estadual de Planejamento. Mas o amor pela arte já estava manifestado desde a meninice. “Sempre estive envolvido com a parte artística da escola, da igreja. Enquanto adolescente, fiz parte de alguns corais e surgiu o incentivo dos amigos para eu começar a cantar profissionalmente”, conta. Desde então, ele não parou mais. “Foi lá, no palco do Teatro João do Vale, em São Luís, que tudo começou”, diz.

Recomeços

Um mundo novo se abriu quando, em 1997, o cantor decidiu se mudar para a Capital Federal. Depois de uma temporada de oito meses passados em São Paulo, em 2002, Salomão não saiu mais de Brasília e Brasília não saiu mais dele. O acolhimento foi recíproco: “Quando eu vim pra cá, já estava saturado da minha vida de funcionário público em São Luís e isso me angustiava um pouco. Pedi licença do cargo e fiquei por três meses aqui, junto com umas amigas que também vieram de lá. Depois, voltei lá, pedi demissão e fiquei definitivamente por aqui”. O arrependimento nunca bateu, talvez só de não ter vindo antes. “Busquei informações sobre o cenário musical, conversei com os artistas daqui, me entrosei com a galera.” O primeiro show em palco brasiliense foi no Feitiço Mineiro, em 1998.

Crítico em relação ao atual cenário musical que Brasília oferece aos artistas locais, Salomão rememora que, quando se tornou morador do Distrito Federal, as oportunidades para quem trabalhava com música eram mais amplas. “A música da noite de Brasília era outra, porque existiam mais espaços, a Asa Norte era um centro de opções para boa música. Hoje, isso acabou, com essa Lei do Silêncio, fala, referindo-se à Lei nº 4.092, de 2008, que estabeleceu os limites sonoros no DF.

Em áreas residenciais, o máximo permitido são 50 decibéis. No comércio, a tolerância aumenta para 60 decibéis. Além disso, a determinação da Administração Regional de Brasília, bares e restaurantes do Plano Piloto devem fechar as portas às 2h (de quarta a sábado) e à 1h (de domingo a terça). “Temos pouquíssimos lugares para nos apresentar”, lamenta. Ele destaca que, não fossem as relações de amizades e parcerias, conquistadas e cultivadas durante seus 20 anos em Brasília, com outros músicos, com os quais se apresenta, as dificuldades seriam maiores, já que tudo mudou radicalmente.

Quando questionado se mesmo com esses obstáculos, ainda vale a pena cantar, Salomão di Pádua é categórico: com certeza. “É bom demais fazer o que a gente faz. Cantar é o melhor momento da minha vida e o palco é onde me sinto melhor e sou feliz, seja para uma ou mil pessoas, em um teatro, em um bar, em uma roda de amigos… A minha verdade é a música”, define. Recentemente, ele e seus parceiros de palco apresentaram espetáculos em homenagem a Tom Jobim e Noel Rosa. “A Música Popular Brasileira está resistindo e não vai morrer nunca”. Ele exemplifica com o caso do Clube do Choro, “um dos locais de resistência da MPB no DF”.

“Semeio-me entre as folhas do papel, com o mel e as cores dos casais. Divago “vagarinho” lá no céu, desejo que haja amor e muito mais. Sou pleno em pura simplicidade, meu canto se abre pra sorte, meu pranto se curva só pra morte. Por que tem que ser assim? Por que tem que ser assim? Poderia ser tudo, menos mudo. O mundo é tanto que nem cabe na gente. Tenho o dom da mocidade, formiga e cigarra na flor da idade.” (Salomão di Pádua/Simone Guimarães).

A faixa-título de “Pleno”, álbum mais recente lançado pelo cantor e servidor do MinC, diz muito sobre seu autor e intérprete. Em 25 anos de carreira, as conquistas foram muitas, mas ainda há objetivos a serem realizados, dentre eles a gravação e lançamento de um DVD ao vivo. Um sonho guardado com esmero por Salomão é a vontade de fazer um show na cidade em que nasceu, cresceu e se tornou músico, de preferência no mesmo palco, o do Teatro João do Vale. “Seria como voltar onde tudo começou. Não sei quando vou fazer isso, se nos 30, 40 anos de carreira, mas vou fazer”, garante. “Mas meu principal plano é seguir cantando, enquanto voz eu tiver”, finaliza.

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Texto: Erneilton Lacerda
Fotos: Acácio Pinheiro
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura

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